8 mitos sobre a proteína vegetal

Escrito por Artur Caliendo Prado em 25/09/2020


Existem muitas lendas sobre o vegetarianismo que acabam confundindo as pessoas. De todas elas, a que causa mais dúvidas, principalmente para os não-vegetarianos, é sobre a proteína vegetal. 

Todos os seres vivos precisam de proteínas. Contudo os animais não conseguem sintetizar todos os aminoácidos de que necessitam. Chamamos esses que não produzimos de aminoácidos essenciais e eles devem ser obtidos através da alimentação, de alimentos que possuem proteína. 

É bastante difundido que a carne possui proteínas, por isso muita gente pensa que, se parar de comer carne, vai morrer. Só que isso não é verdade. A proteína não chega nem perto de ser um problema para quem opta por uma alimentação vegetariana estrita porque ela pode ser obtida através de grãos, principalmente das leguminosas (feijões, lentilhas, grão-de-bico, vagens, etc).

Mas... por que as pessoas sempre perguntam aos vegetarianos de onde eles tiram suas proteínas?

A história é a verdade que se deforma, a lenda é a falsidade que se encarna.
Jean Cocteau

Vamos desmascarar alguns dos mitos mais difundidos sobre a proteína vegetal? Esses foram retirados do livro Guia Alimentar de Dietas Vegetarianas Para Adultos, da SVB, a Sociedade Vegetariana Brasileira:


1. A proteína vegetal é incompleta (carente de aminoácidos).
Alguns alimentos podem apresentar teor baixo de um ou mais aminoácido específico. A combinação de alimentos de grupos diferentes fornece todos os aminoácidos em quantidade ótima.
2. A proteína proveniente de fontes vegetais não é “tão boa” quanto a proveniente de fontes animais.
A qualidade depende da fonte da proteína vegetal ou da sua combinação. As proteínas vegetais podem ser iguais ou melhores do que as proteínas animais.
3. As proteínas de alimentos vegetais diferentes têm de ser consumidas juntas na mesma refeição para atingir elevado valor nutricional.
Os aminoácidos não precisam ser consumidos todos na mesma refeição. É mais importante consumi-los ao longo do dia.
4. Os métodos baseados em animais para determinar os valores da necessidade nutricional de proteína são adequados para seres humanos.
Esses métodos costumam subestimar a qualidade nutricional das proteínas, já que as necessidades de proteínas e a velocidade de sua utilização são muito diferentes entre animais e seres humanos.
5. As proteínas vegetais não são bem digeridas.
A digestibilidade varia de acordo com a fonte e o preparo da proteína vegetal. A digestibilidade da proteína vegetal pode ser tão alta quanto a animal para alguns alimentos.
6. Sem carne, ovo ou laticínios, a proteína vegetal não é suficiente para atender à necessidade humana de aminoácidos.
A ingestão de aminoácidos essenciais pode ser atingida tranqüilamente utilizando apenas proteínas vegetais ou uma combinação delas com as animais (ovos, leite e queijo).
7. As proteínas vegetais contêm aminoácidos desbalanceados e isso limita o seu valor nutricional.
Não há nenhuma evidência de que esse balanço seja importante. O que importa é que todos os aminoácidos atinjam o seu valor de ingestão recomendado ao longo do dia. Pode ocorrer desequilíbrio por uma suplementação inadequada de aminoácidos, mas isso não costuma ser um problema prático comum.
8. Existem aminoácidos na carne que não podem ser encontrados em nenhum alimento do reino vegetal.
Todos os aminoácidos essenciais são encontrados em abundância no reino vegetal.

Esse livro é bem interessante, recomendo a leitura. E se quiserem saber mais sobre as proteínas, tenho mais duas indicações:

A atriz Mayim Bialik, a Amy Farrah Fowler da aclamada série The Big Bang Theory, fez um vídeo falando sobre veganismo e sobre as dúvidas que pairam sobre as proteínas:

Fala-se muito sobre a necessidade de proteína animal para atletas. Para desmistificar isso, assistam ao documentário Dieta de Gladiadores:

Fonte: SVB - Guia Alimentar de Dietas Vegetarianas para Adultos


Por Artur Caliendo Prado
Programador inveterado, aspirante a escritor e vegano convicto, dando um passo de cada vez em busca de um mundo mais verde.